"...a literatura e qualquer arte serve para desabrochar a imaginação. E se você não tem boa leitura, não tem boa musica, não tem boa pintura, a sua imaginação fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho."
Manoel de Barros

ANTES DO PÔR DO SOL
Um recital poético...

Navegante

De mim
exijam pouco...

Pois o tempo
que me resta
é louca busca
de como atravessar
o Sol...

Damário Dacruz

sexta-feira, 11 de junho de 2010

DIA 13

POESIAS DE
DAMÁRIO DACRUZ

Com YUMARA RODRIGUES
Participação especial da flautista
 ELENA RODRIGUES
Direção e roteiro: CRISTINA DANTAS

Quando: a partir do dia 13/06/2010 / todos os domingos
Hora: Antes do Pôr do Sol

OLÉ
Quando na arena
um touro me matar
não me socorram,
pois ninguém socorre
o touro quando o mato. 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

RECITAL DAMÁRIO DACRUZ

POESIAS DE
DAMÁRIO DACRUZ


Com YUMARA RODRIGUES
Participação especial de TUZÉ DE ABREU
Direção: CRISTINA DANTAS

Quando: dia 06/06/2010
Hora: Antes do Pôr do Sol

CALMARIA

 
A que porto
Busca este barco
De madeira podre?

Haverá cais livre
Nos mares humanos
Que hospede silenciosamente
Um navegante suicida
Num barco podre?

 Os portos estão fechados
Às naus da liberdade
Os corações dos homens
Já não acalmam
As correntes violentas
Da razão dominadora.

 O barco da liberdade
Apodrece nas mãos de todos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

DAMÁRIO DACRUZ


Hoje pela manhã estava olhando a imensidão do mar numa atividade trivial de um dia qualquer, quando fui invadida pela notícia do falecimento do poeta a quem conheci numa das apresentações do recital de Brecht, onde ele falou sobre a importância da palavra e da poesia. Fui invadida pelas belas palavras de Yumara, belas porque poéticas e que continham toda a imensidão do mar à minha frente. Invadida porque nunca esperamos a morte... mas ela não difere da imensidão do mar, tão grande e bela que transcende o espaço do significado... mas aporta gigante no espaço da poesia.

Evoé, Damário!!! Estaremos juntos em nosso próximo recital poético...

Foi através destas palavras que transcrevo abaixo que Damário despediu-se do lápis escrevendo o seu último poema, mas permitindo-se à eternidade da poesia:

GRAN FINALE

Avise aos amigos
que preparo o último verso

A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo
saio de cena.


Confiram abaixo entrevista concedida à revista Muito do jornal A TARDE, em 09/11/08.

Todo risco de ser poeta
Ele começou a escrever poesia aos 15 anos; lá se vão 40. É autor do poema Todo Risco, que está na 17ª edição. Foi balconista, líder estudantil, repórter e sindicalista. A fotografia e a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, são suas outras paixões.

Qual é sua lembrança mais remota de querer ser escritor?
Quando decidi dormir longe de todos. Tinha 15 anos e inventei um quarto para mim no porão da casa paterna.
Qual é o tema que acaba invadindo os seus poemas, mesmo quando você não quer?
Todos os temas invadem a poesia. Mas, o efêmero, das coisas e dos sentimentos, anda sempre me cercando. Adoro relâmpagos e palavras rápidas no ouvido.

Você foi para Cachoeira atrás de que?
Da pequena e forte aldeia que universaliza o poeta.

Você às vezes tem a impressão de que tudo o que era importante já foi escrito? Se sim, quem foi que já disse tudo?
Ninguém é capaz de dizer tudo sozinho. Ninguém é grande sozinho. Somos uma mistura do muito que muitos nos dizem. Por incrível que possa parecer, acredito que a grande vedete deste milênio será a PALAVRA publicada em outros suportes.

Escritor é um ser mais angustiado que as outras pessoas? Poeta mais ainda?
Conheço gente bem mais angustiada fora da literatura do que dentro dela. A minha vida e a minha poesia estão distante disto. Elas estão a serviço, inclusive, da não-agonia humana.

Página em branco te dá pesadelo? Ao contrário. Produz o sonho das imensas possibilidades.

Qual foi o caminho que você evitou por medo, como diz em “Todo Risco”?
O caminho da dedicação exclusiva à minha obra poética e fotográfica como muitos fizeram. Mas, obtive belos ganhos, por navegar em águas distintas.

Literatura é mais conforto ou agonia?
As duas coisas na medida de cada um. Literatura substitui certas brincadeiras proibidas após a infância. Literatura é liberdade perseverante. E a Liberdade,às vezes, também doi.

Dê uma definição poética para a poesia.
De vez em quando me perguntam para que serve a poesia. A minha resposta tem sido dada com duas perguntas e duas respostas: Para que serve a poesia ?, para fazer o homem. Para que serve o homem ?, para fazer poesia


quinta-feira, 6 de maio de 2010

PRÓXIMO RECITAL...

FIQUEM ATENTOS!!!

BREVE ESTAREMOS DE VOLTA ANTES DO PÔR DO SOL...

Já estamos preparando o nosso próximo recital com poesias do poeta DAMÁRIO DA CRUZ!!!

NOTÍCIAS...

Em entrevista à revista Muito (02\05\10), o profº Saja nos reverencia com um belo depoimento.

Pergunta da Muito: "O que a sociedade perde hoje sem a crítica de arte?"

Saja responde: "Ah, a sociedade perde a sua alma. Eu vou lhe citar uma grande amiga minha, falarei o nome dela em pé (levanta-se). Fernanda Montenegro disse: 'Se você me mostrar o que está acontecendo nos palcos da cidade, eu lhe digo que cidade é essa'. Eu tive a oportunidade, recentemente, de presenciar um recital de Yumara Rodrigues. Rapaz! A gente precisa daquilo para viver. Se você tira aquilo, tira a noção de cidadania, a noção de cidade. Daqui a pouco vou chorar aqui. Cidades deveriam ser construídas em torno de teatros, de galerias, que é o que faz viver, o que faz pulsar."

Obrigada Saja!!! Você nos faz refletir também sobre os inúmeros teatros que estão fechando... e fechando... metáfora aos valores que nos são caros e estão desaparecendo... e desapare... desap... de... d... ... ... ...

Cristina Dantas
06\05\10

quarta-feira, 31 de março de 2010

A CASA DE YUMARA

O palco diante da janela que emoldura o mar fica na casa da atriz. O palco é pequeno, mas não existe palco pequeno se sobre ele atua Yumara Rodrigues. Foi nesse palco que ela começou o recital que continua em mim dias depois de terminada a sessão. Desconfio que ele vai durar em mim pra sempre. Sempre fui aluno atento de Yumara, mesmo nunca tendo sido seu aluno realmente. É que Yumara é mestra de qualquer ator que cruze seu caminho. Uma mestra em suas escolhas e destrezas. Grande. Esse podia ser seu sobrenome. Yumara Grande. Nela cabem todas as mulheres que eu conheço e todas as outras escritas pelos grandes autores. Cabem nela também os homens que conheci e um dia pretendo ser ou inventar nesse nosso árduo e delicioso ofício. Em Yumara encontrei inspiração inesgotável e o compromisso com o rigor. Master class. É isso. Yumara é master class. Antes de conhecê-la ouvia dos mais experientes que ela era capaz de chorar com um olho e sorrir com o outro. Ouvi também que uma atriz como ela bastava ler a lista telefônica para fazer a platéia inteira rir e chorar com os dois olhos. O que sei agora é que meus grandes olhos viraram um coração quando a vi sobre o palco da sua casa e assim será em todos os outros, pois todos os palcos são a casa de Yumara. Casa onde sou hospede e eternamente grato pelo abrigo que é seu enorme talento.

Ricardo Castro
Salvador, 23 de março de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

HOMENAGEM NO TCA

A homenagem aos 50 anos de carreira da atriz Yumara Rodrigues, realizada ontem no Teatro Castro Alves foi promovida pela Funceb/ TCA/Secult para comemorar o dia Internacional do Teatro. Muitos artistas da classe teatral baiana compareceram ao evento...

Durante os aplausos Yumara recebeu rosas vermelhas das mãos de uma jovem atriz de 16 anos e este encontro entre duas gerações tão distantes prova mais uma vez que o TEATRO deve viver e ser fortalecido para que outras "Yumaras", "Cacildas", "Fernandas", etc possam continuar existindo!!!

Yumara Rodrigues  ressalta após os aplausos que se não fosse o TEATRO, tudo o que fez em seus 50 anos de carreira teria sido em vão... E que o TEATRO ainda está vivo e ela também afinal!!!

Um depoimento comovido que o Profº Saja fez a mim, merece um destaque, pois aponta o recital como um momento ímpar, com uma atriz de 75 anos em pleno vigor e que sabe dar valor às palavras... E diz: "ela tem alguma coisa especial que emana...".  Disse ele que Yumara Rodrigues e Fernanda Montenegro deixam um rastro de energia por onde passam e não há quem não as olhe de costas!! "E quem escolheu as poesias?" pergunta emocionado. Respondo tímida: eu.

O recital com as poesias de Brecht, o qual faz parte do nosso projeto ANTES DO PÔR DO SOL, encontrou o palco do Teatro Casto Alves para a sua realização. Além da atriz referida, somos os artistas envolvidos:
  • Bertolt Brecht - Poesias
  • Cristina Dantas - Direção Artística e Roteiro
  • Eduardo Tudella - Iluminação
  • Alexandre Bloisi - Violonista
Por sua generosidade, comprometimento, competência e, sobretudo, profissionalismo, faço um agradecimento especial e necessário a Eduardo Tudella!! Obrigada Tudella!

Cristina Dantas

29/03/2010 - 07:47


COMENTÁRIOS:
Cristina,
depois de falar com Yumara, após o recital, precisei sair e não pude esperar para lhe dar os parabéns, tanto pela bela iniciativa de homenagear nossa querida atriz quanto pela direção do espetáculo. Não sei quem fez a escolha dos textos, se você, ou ela, ou ambas, mas quero dizer que foi muito feliz, muito certeira. O texto final espande a ironia de Brecht para nosso próprio tempo, e para a atenção que nem sempre damos aos que nos antecederam. Vocês acertaram no alvo, ou antes, no rubro dos nossos corações, emocionando a plateia presente.
Um beijo,
valeu!
Cleise Mendes

Bela iniciativa, Cris. Ver Yumara em cena é um presente para atrizes de todas as gerações e para o público em geral.
beijos,
Hebe Alves
 
Parabéns, querida!
Esse projeto é simplesmente você e seu coração. "Simples" assim.
João Reis