"...a literatura e qualquer arte serve para desabrochar a imaginação. E se você não tem boa leitura, não tem boa musica, não tem boa pintura, a sua imaginação fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho."
Manoel de Barros

ANTES DO PÔR DO SOL
Um recital poético...

Navegante

De mim
exijam pouco...

Pois o tempo
que me resta
é louca busca
de como atravessar
o Sol...

Damário Dacruz

segunda-feira, 31 de maio de 2010

RECITAL DAMÁRIO DACRUZ

POESIAS DE
DAMÁRIO DACRUZ


Com YUMARA RODRIGUES
Participação especial de TUZÉ DE ABREU
Direção: CRISTINA DANTAS

Quando: dia 06/06/2010
Hora: Antes do Pôr do Sol

CALMARIA

 
A que porto
Busca este barco
De madeira podre?

Haverá cais livre
Nos mares humanos
Que hospede silenciosamente
Um navegante suicida
Num barco podre?

 Os portos estão fechados
Às naus da liberdade
Os corações dos homens
Já não acalmam
As correntes violentas
Da razão dominadora.

 O barco da liberdade
Apodrece nas mãos de todos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

DAMÁRIO DACRUZ


Hoje pela manhã estava olhando a imensidão do mar numa atividade trivial de um dia qualquer, quando fui invadida pela notícia do falecimento do poeta a quem conheci numa das apresentações do recital de Brecht, onde ele falou sobre a importância da palavra e da poesia. Fui invadida pelas belas palavras de Yumara, belas porque poéticas e que continham toda a imensidão do mar à minha frente. Invadida porque nunca esperamos a morte... mas ela não difere da imensidão do mar, tão grande e bela que transcende o espaço do significado... mas aporta gigante no espaço da poesia.

Evoé, Damário!!! Estaremos juntos em nosso próximo recital poético...

Foi através destas palavras que transcrevo abaixo que Damário despediu-se do lápis escrevendo o seu último poema, mas permitindo-se à eternidade da poesia:

GRAN FINALE

Avise aos amigos
que preparo o último verso

A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo
saio de cena.


Confiram abaixo entrevista concedida à revista Muito do jornal A TARDE, em 09/11/08.

Todo risco de ser poeta
Ele começou a escrever poesia aos 15 anos; lá se vão 40. É autor do poema Todo Risco, que está na 17ª edição. Foi balconista, líder estudantil, repórter e sindicalista. A fotografia e a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, são suas outras paixões.

Qual é sua lembrança mais remota de querer ser escritor?
Quando decidi dormir longe de todos. Tinha 15 anos e inventei um quarto para mim no porão da casa paterna.
Qual é o tema que acaba invadindo os seus poemas, mesmo quando você não quer?
Todos os temas invadem a poesia. Mas, o efêmero, das coisas e dos sentimentos, anda sempre me cercando. Adoro relâmpagos e palavras rápidas no ouvido.

Você foi para Cachoeira atrás de que?
Da pequena e forte aldeia que universaliza o poeta.

Você às vezes tem a impressão de que tudo o que era importante já foi escrito? Se sim, quem foi que já disse tudo?
Ninguém é capaz de dizer tudo sozinho. Ninguém é grande sozinho. Somos uma mistura do muito que muitos nos dizem. Por incrível que possa parecer, acredito que a grande vedete deste milênio será a PALAVRA publicada em outros suportes.

Escritor é um ser mais angustiado que as outras pessoas? Poeta mais ainda?
Conheço gente bem mais angustiada fora da literatura do que dentro dela. A minha vida e a minha poesia estão distante disto. Elas estão a serviço, inclusive, da não-agonia humana.

Página em branco te dá pesadelo? Ao contrário. Produz o sonho das imensas possibilidades.

Qual foi o caminho que você evitou por medo, como diz em “Todo Risco”?
O caminho da dedicação exclusiva à minha obra poética e fotográfica como muitos fizeram. Mas, obtive belos ganhos, por navegar em águas distintas.

Literatura é mais conforto ou agonia?
As duas coisas na medida de cada um. Literatura substitui certas brincadeiras proibidas após a infância. Literatura é liberdade perseverante. E a Liberdade,às vezes, também doi.

Dê uma definição poética para a poesia.
De vez em quando me perguntam para que serve a poesia. A minha resposta tem sido dada com duas perguntas e duas respostas: Para que serve a poesia ?, para fazer o homem. Para que serve o homem ?, para fazer poesia


quinta-feira, 6 de maio de 2010

PRÓXIMO RECITAL...

FIQUEM ATENTOS!!!

BREVE ESTAREMOS DE VOLTA ANTES DO PÔR DO SOL...

Já estamos preparando o nosso próximo recital com poesias do poeta DAMÁRIO DA CRUZ!!!

NOTÍCIAS...

Em entrevista à revista Muito (02\05\10), o profº Saja nos reverencia com um belo depoimento.

Pergunta da Muito: "O que a sociedade perde hoje sem a crítica de arte?"

Saja responde: "Ah, a sociedade perde a sua alma. Eu vou lhe citar uma grande amiga minha, falarei o nome dela em pé (levanta-se). Fernanda Montenegro disse: 'Se você me mostrar o que está acontecendo nos palcos da cidade, eu lhe digo que cidade é essa'. Eu tive a oportunidade, recentemente, de presenciar um recital de Yumara Rodrigues. Rapaz! A gente precisa daquilo para viver. Se você tira aquilo, tira a noção de cidadania, a noção de cidade. Daqui a pouco vou chorar aqui. Cidades deveriam ser construídas em torno de teatros, de galerias, que é o que faz viver, o que faz pulsar."

Obrigada Saja!!! Você nos faz refletir também sobre os inúmeros teatros que estão fechando... e fechando... metáfora aos valores que nos são caros e estão desaparecendo... e desapare... desap... de... d... ... ... ...

Cristina Dantas
06\05\10