Hoje pela manhã estava olhando a imensidão do mar numa atividade trivial de um dia qualquer, quando fui invadida pela notícia do falecimento do poeta a quem conheci numa das apresentações do recital de Brecht, onde ele falou sobre a importância da palavra e da poesia. Fui invadida pelas belas palavras de Yumara, belas porque poéticas e que continham toda a imensidão do mar à minha frente. Invadida porque nunca esperamos a morte... mas ela não difere da imensidão do mar, tão grande e bela que transcende o espaço do significado... mas aporta gigante no espaço da poesia.
Evoé, Damário!!! Estaremos juntos em nosso próximo recital poético...
Foi através destas palavras que transcrevo abaixo que Damário despediu-se do lápis escrevendo o seu último poema, mas permitindo-se à eternidade da poesia:
GRAN FINALE
Avise aos amigos
que preparo o último verso
A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo
saio de cena.
Confiram abaixo entrevista concedida à revista Muito do jornal A TARDE, em 09/11/08.
Todo risco de ser poeta
Ele começou a escrever poesia aos 15 anos; lá se vão 40. É autor do poema Todo Risco, que está na 17ª edição. Foi balconista, líder estudantil, repórter e sindicalista. A fotografia e a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, são suas outras paixões.Qual é sua lembrança mais remota de querer ser escritor?
Quando decidi dormir longe de todos. Tinha 15 anos e inventei um quarto para mim no porão da casa paterna.
Qual é o tema que acaba invadindo os seus poemas, mesmo quando você não quer?
Todos os temas invadem a poesia. Mas, o efêmero, das coisas e dos sentimentos, anda sempre me cercando. Adoro relâmpagos e palavras rápidas no ouvido.
Você foi para Cachoeira atrás de que?
Da pequena e forte aldeia que universaliza o poeta.
Você às vezes tem a impressão de que tudo o que era importante já foi escrito? Se sim, quem foi que já disse tudo?
Ninguém é capaz de dizer tudo sozinho. Ninguém é grande sozinho. Somos uma mistura do muito que muitos nos dizem. Por incrível que possa parecer, acredito que a grande vedete deste milênio será a PALAVRA publicada em outros suportes.
Escritor é um ser mais angustiado que as outras pessoas? Poeta mais ainda?
Conheço gente bem mais angustiada fora da literatura do que dentro dela. A minha vida e a minha poesia estão distante disto. Elas estão a serviço, inclusive, da não-agonia humana.
Página em branco te dá pesadelo? Ao contrário. Produz o sonho das imensas possibilidades.
Qual foi o caminho que você evitou por medo, como diz em “Todo Risco”?
O caminho da dedicação exclusiva à minha obra poética e fotográfica como muitos fizeram. Mas, obtive belos ganhos, por navegar em águas distintas.
Literatura é mais conforto ou agonia?
As duas coisas na medida de cada um. Literatura substitui certas brincadeiras proibidas após a infância. Literatura é liberdade perseverante. E a Liberdade,às vezes, também doi.
Dê uma definição poética para a poesia.
De vez em quando me perguntam para que serve a poesia. A minha resposta tem sido dada com duas perguntas e duas respostas: Para que serve a poesia ?, para fazer o homem. Para que serve o homem ?, para fazer poesia

Como a efemeridade é real. Ele deixou sua marca, e será , sim, lembrado.
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